quinta-feira, fevereiro 26, 2009

textos escritos com as 12 Palavras do Jogo do Eremitério

fragilidade

senti uma batida. seguiu-se uma sacudidela. na vasteza da planície parei e avaliei a situação. não podia ser efeito do vento na superfície de terra. uma oscilação mais forte - semelhando ondas em revolto oceano agindo sobre um navio - acompanhada de um rugido de tigre saindo de dentro da terra, soberana mãe de todos nós eriçou-me os pelos do corpo agora transido e paralisado de pavor. só podia ser um forte terramoto que me apanhava desprotegido. a palavra desprotegido fez-me rir. um riso espasmódico, mas riso.

haveria algum sítio onde pudéssemos estar protegidos de um cataclismo como o que se adivinhava pela vibração que os pés sentiam? pelo som em fúria alastrando cada vez mais intenso e medonho? pela electricidade que corria no ar e se sentia na pele…?

em pânico tentei uma fuga desesperada ao som e ao movimento que me diziam estar a terra a fender-se debaixo de meus pés…fui bem sucedido. estremunhado, alagado em suor, o coração a bater descompassado, deixei os braços de Morfeu que não haviam sido tão seguros como de costume e acordei debaixo da cama. enrolado na roupa que me amortecera a queda na insana fuga..

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E este o texto que enviei para o 11º Jogo no Eremitério onde podem ler uma variedade de escritos criativos - de muitos outros autores - sob o mote das 12 Palavras obrigatórias.

humano poder

soberano do sono

Morfeu perde-se

na vasteza do

oceano construído

pelo humano sonhar.

tigre já não senhor

da situação. navio

lançado à deriva

pela força do vento

do pensamento.

entre oscilações

batidas sacudidelas

perde-se na imensidão

cega e vazia

que dentro do Homem

se elabora e des-constrói.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

teus pequenos olhos

teus pequenos olhos

viajavam-me por dentro.

por fora a pele

secou e

poro a poro

estaladiça rachou

inabitada.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A vida é um somatório de paixões. As mais duradouras são as mais simples.

A palavra para o Fotodicionário desta semana foi "Paixão".

A foto abaixo é representação de "paixão" que enviei.

A vida é um somatório de paixões.

As mais duradouras são as mais simples.

Como esta, a paixão de um bom pão – preferencialmente o alentejano – barrado com manteiga. É uma paixão reconfortante no paladar e no aconchego que sempre recria.

A paixão de abrir os braços, abraçar o mundo ou voar no esplendor de um dia de sol em que se sente o espreguiçar feliz da natureza e escuta o respirar do mundo.

A paixão de, num dia de chuva, mansa e criativa, circular pelos campos no meio das plantas. senti-las felizes lavando as poeiras e os cansaços. sacudindo-se como cachorros brincalhões depois de saírem da água.

A paixão de uma criança, correndo feliz para nós, lançando-se nos nossos braços num total e confiante abraço.

A paixão do mar murmurando segredos em cada poro de nosso corpo enquanto nos enfeitiça definitivamente….

A paixão de um sorriso genuíno que ilumina o mundo.

A paixão do silêncio partilhado que nos diz: não estás só. Estou sempre contigo para o que der e vier.

Tantas, tantas paixões que nos alimentam o dia a dia começando no simples facto de acordar, continuando por todos os que amamos se encontrarem bem…

As paixões das coisas simples são as que importam e nos reforçam.

domingo, fevereiro 08, 2009

o poema que não disse

Ontem estive no encontro mensal de poetas em Vermoim .

Não sou assídua por várias razões, sendo determinante a ausência de transportes.

Foi com agrado que compareci.

O tema era "Manhã".

Não tendo poemas sobre este tema escrevi dois, dos quais só li um dado o elevado número de participantes inscritos - 27.

Aqui vos deixo o outro, com desejos de um excelente Domingo.

amanhecer é acordar em teu olhar

amanhecer é acordar em teu olhar

vigilante guardião de meu ser

ondas de ternura cobrem o físico

espaço onde a matéria vive

e o corpo repousa tocam a

imponderável e invisível substância

da alma e do ser doces correntes

que nos ligam e confortam

e |a cada manhã| se reforçam

no íntimo momento de amar

|porque|

amanhecer é acordar em teu olhar.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Os textos do 10º Jogo das 12 Palavras estão no Eremitério.
Aqui deixo mais 3 textos feitos com as 12 palavras obrigatórias:

~~~~~~ " " ~~~~~~
a mulher pastoreava o rebanho há quarenta e dois anos. começara, menina ainda, depois da escola. um autêntico e límpido sentimento de liberdade e gratidão pela beleza do mundo que conhecia enchia-a quando vagueava pelos campos com as ovelhas e o cão, de seu nome Travesso.
de vez em quando fazia umas derivas ao percurso de pastoreio estipulado pelos pais alargando os horizontes. era este um querer muito forte. uma ousadia alicerçada numa paixão, podemos dizer.
o casamento e o nascimento dos filhos amansaram-na, substituindo-a por outra paixão. a que nutria pela família. o seu universo exterior encurtou-se à medida que o interior cresceu em afecto ao marido e aos filhos. continuou a pastorear, a tratar de uns campos que davam legumes frescos para a casa e alimento aos animais de capoeira - assim reforçando a economia doméstica - e, claro, da casa e da família. a televisão fez a sua entrada, considerada importante para alargar os horizontes dos filhos. Madalena via os programas depois do jantar e da cozinha arrumada, mas sem grandes entradas pela noite, pois era necessário madrugar.
muito do que via era-lha tão distante, tão irreal, que não lhes dava mais valor do que às fábulas que, em menina, lhe contavam à lareira e ao som de cujas palavras e imagens que estas evocavam adormecia sendo depois transportada ao colo para a cama.
mas os filhos tornaram-se homens, constituíram família. partiram para o estrangeiro buscando vida melhor. o marido morreu. Madalena ficou só. no seu pequeno mundo. os filhos e os netos traziam fotos, contavam histórias de outros mundos, traziam filmes de suas vidas por lá…
um novo e singular estado de alma tomou-a e foi ganhando espaço. uma quase avidez. uma fome de ver esse outro mundo, esses outros mundos que ignorava renasceu tornando-se o objectivo supremo de sua vida.
organizou-se, e pôs-se a caminho. primeiro decidiu visitar filhos, noras e netos bem como aqueles tão diferentes países nos hábitos, costumes e modos de vida que desconhecia, mas sabia pelas imagens e relatos que lhe faziam. acompanhada pela família primeiro, depois só, correu as cidades. andou exaustivamente pelas ruas. caminhou lentamente, ouvindo as falas diversas e desconhecidas e a vontade de mais conhecer cresceu. fortaleceu-se. nunca na vida fora ao cinema. lembrava-se de, em criança, ter visto uns filmes de Chaplin num ecrã improvisado com lençóis. lá, na distante aldeia. eram filmes itinerantes - uma espécie de caixeiro-viajante de sonhos - cada um levava a cadeira de casa e pagava uma entrada. mas num cinema mesmo nunca vira. pensou que era semelhante à televisão, mas muito maior. melhor. penetrava no ser. desencadeava fortes emoções. pensou que era uma outra forma de viajar. um dia a família disse que iam a um mole fazer compras. umas roupas novas mais adequadas do que as que trouxera da aldeia.
- um mole? mas que raio de coisa é um mole?
explicaram-lhe que em Portugal se chamavam Centros Comerciais ou Shoppings que era a palavra para compras e que lá se encontravam lojas de todo o tipo em grande quantidade e variedade de bens.
lá chegados o espanto tomou-a apesar de já ter apercebido que as dimensões do mundo em que vivera e conhecia nada mais eram do que um grão de areia quando comparados com o daqueles outros tão novos e ricos. correram o Moll, fizeram as compras, mas não deixou de pensar como aquela faceta do imenso mundo que desconhecia era escaganifobética e o barulho um imenso e cansativo salsifré. quis sair para as ruas, respirar ir a pé para casa. foi isso que fez ante o espanto da família receando que se cansasse e perdesse, pois grande era a distância. escreveram a morada num papel que a obrigaram a meter na mala recomendando-lhe que caso se baralhasse se metesse num táxi e desse o papel ao motorista. que sim. que ficassem descansados. e lá foi. devagar. respirando o frio ar semelhante ao das serranias, mas menos puro.
~~~~~~ " " ~~~~~~
ouvi bem?
sem qualquer deriva na voz chamaste-me escaganifobética?

meu amigo, sou uma mulher singular e autêntica.
não sou uma boneca. uma qualquer Barbie…tão pouco figura de fábula ou de estória de encantar. supremo e límpido é este novo querer nascido da paixão pela vida que, sem salsifré, me conduziu a novos e diferentes trilhos esboçando o renascer do ser que me habita.
~~~~~~ " " ~~~~~~
o que poderia ser mais autêntico do que aquele amor-paixão, aquele sentimento novo. tão limpído. aquele singular e supremo bem-querer que, sem dúvida nem deriva, de assalto, nos tomou o coração inundando-nos de uma força interior. que nos levou a renascer devolvendo-nos a alegria de viver?

nas nossas costas diziam:
- vivem uma fábula. sempre foram uns seres estranhos. sonhadores. escaganifobéticos até!

indiferentes ao diz que diz, no meio do alarido, do salsifré que o nosso amor provocou vivemo-lo intensamente e, passados quarenta e dois anos é ele que nos alimenta e alimentará o luminoso dia a dia. até ao fim.

sábado, janeiro 24, 2009

cor da saudade

Foto e poema de minha autoria

quarta-feira, janeiro 21, 2009

sagração do dia

Imagem da net e texto e minha filha, Ana Eugénio

domingo, janeiro 04, 2009

Apresentação da reedição de 2 Obras do escritor António Rebordão Navarro

Amizades conto convosco para confraternizarmos no dia 8 do corrente, pelas 21H30 no Hotel Alvorada, Estoril (abaixo a planta com localização do Hotel)

em torno de duas obras - o 1º romance por ele escrito, "ROMAGEM A CRETA" e o livro de poesia "27 POEMAS" - deste autor, agora reeditadas pela EDIUM EDITORES.

A vossa presença é indispensável bem como o vosso empenho na divulgação porque há bons autores - como António Rebordão Navarro - esquecidos.

Porque será?

Vejo-nos lá e faremos uma festa maior em torno das palavras do autor.

sábado, dezembro 20, 2008

Poema de António Rebordão Navarro

Ao Silvestre Fonseca

Concerto

Esse milagre de

dar música aos dedos

e às mãos, sob a lua, na rua

iluminada de Pavia.

Esse mistério

de transformar os instrumentos,

mudá-los,

fornecend-lhes pátalas

suavíssimas, criando os movimentos

do tempo, da esguia figurnha

voltejando no ritmo,

esse jovem mistério

vindo do ventre magnânimo

gerador da poesia.

A majestade humilde,

o riso, o canto,

esse espanto e mstério

de dar às manhãs todos os dias.

Vila Viçosa, 9-06-1987

in: 27 Poemas. 2008. S. Mamede de Infesta: Edium Edites: 30

Para veres a foto reportagem da apresentação das duas reedições do autor vai a Estranhos Dias e Corpo de Delito

sexta-feira, dezembro 12, 2008

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Reedição de 2 livros do escritor António Rebordão Navarro, pela Edium Editores

(clica na imagem para ampliar)

ESTÁS CONVIDADA/O!

Contamos contigo . Leva amigos e, por favor...DI-VUL-GA !

___________

Sobre o autor

António Augusto Rebordão e Cunha Navarro nasceu no Porto em 1 de Agosto de 1933.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi Delegado do Ministério Público em Vimioso e Amarante, Director da Biblioteca Pública Municipal do Porto e Director Editorial, tendo exercido a advocacia.

Secretariou e dirigiu a Revista Literária Bandarra, fundada por seu pai, o escritor Augusto Navarro.

Foi co-director e também co-autor de Notícias do Bloqueio e director-adjunto da revista literária Sol XXI.

Colaborou em diversas publicações e encontra-se representado em várias antologias.

Fez parte da direcção e foi Presidente da Assembleia-geral da Associação de Jornalistas e Homens das Letras do Porto e Vogal do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores.

Alguns dos seus poemas estão traduzidos para castelhano, francês, checo, neerlandês e sueco.

Em 2002 foi-lhe atribuído o “Prémio Seiva” (Literatura).

sábado, novembro 29, 2008

TEIAS DE AMIZADE

Ora aqui está uma bela designação: Teias de amizade!

Por norma respondo o a estes desafios, pois ajudam-nos a perceber melhor a pessoa que está do outro lado e que nos habituámos – por puro gosto - a ler.

A estas TEIAS DE AMIZADE fui desafiada pela Alice no seu MultiplyLand.

As regras são simples, como convém:

1 - Indicar o contacto que nos convidou;
2 - Publicar as regras no nosso Multiply;
3 - Escrever 6 pequenas frases que achamos de nós definem alguns aspectos. Gostos, interesses, etc;
4 –Passar o desafio a 6 contactos no final do post;
5 - Deixar uma mensagem no guestbook de cada um/a para que saiba da brincadeira e que foi desafiado/a;
6 - Avisar quem nos desafiou de haver aceite a brincadeira e assim tecer colectivamente, mais um pouco a Teia de Amizade.

E aqui deixo vos deixo seis coisas sobre mim

1 – Tenho um sonho. Um dia o mundo será de todos os animais - os humanos e os outros - em coabitação pacífica e tudo será de todos. Nem fome nem guerras, nem exploração. As portas das casas só existirão para protecção climática.

2 – Respeito cada um pelas qualidades humanas que comporta. Não porque é VIP, famoso, rico/a, ou pode ser um “degrau” para a fictícia escalada social que tantos e tantas almejam.

3 – Sou dura na frontalidade de dizer das coisas eticamente incorrectas ou que prejudicam terceiros. Tenho o mau hábito da frontalidade e defesa das verdades que conheço, mesmo que não me toquem directamente. Lembro sempre que “o outro sou eu”.

4 – Amo minhas filhas e netas com amor incondicional.

5 - Amo a vida e as coisas simples do dia a dia e nelas encontro momentos de alegria e energia que me renovam perante muitas asperezas com que todos nos defrontamos.

6 – Acredito que o corpo é um habitáculo que usamos transitoriamente, pois creio sermos partículas de um todo eterno, e que todos os seres – não só os humanos -são companheiros da aventura da vida.

ESTÁS DESAFIADA/O A VIR ENRIQUECER A NOSSA TEIA DE AMIZADE:

segunda-feira, novembro 17, 2008

quinta-feira, novembro 13, 2008

Convite e pedido de divulgação do livro "22 Olhares Sobre 12 Palavras"

porque este livro nasceu na blogosfera e 22 pessoas desconhecidas entre si, unidas pelo amor à escrita aqui deixaram os seus "olhares" - vários e ricos- a partir de 12 palavras obrigatórias.

O prefácio é de José António Barreiros, homem de cultura e preocupações sociais, blogger como nós. A apresentação, estará a cargo de outro homem interventor cultural e de causas, o Jorge Castro, ou ORCA. Podem visitar os respectivos blogues clicando nos nomes.

Mas a festa far-se á convosco, com a vossa presença e solidariedade.

Lá nos encontraremos ;))

Para informações, e dados mais detalhados

por favor visitem o Blog 22 Olhares

segunda-feira, novembro 10, 2008

Uma experiência muito curiosa...

Um indivíduo desce na estação do metro de NY vestindo jeans, camisa e boné.Encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.

Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes, ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.

A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Ali, Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.Não podia haver melhor exemplo do quanto nós humanos ainda damos valor á "embalagem"
Nem sempre damos o devido valor as pessoas ou o que Deus nos proporciona diariamente em nossas vidas...

Podes visionar o vídeo e...se gostas de boa música não deixes de assistir e...observar a indiferença
http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw

segunda-feira, outubro 27, 2008

Pensamento

«O progresso é a realização das utopias. (Oscar Wilde)»

Diz de tua justiça: concordas ou não? E porquê?

sexta-feira, agosto 10, 2007

lembrando Cesariny


Passou ontem por isso só hoje publico.
O dia depois da dor é já dia de renascimento.
Três poemas de Cesariny:

Faz-me o favor...
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
*
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
*
Tu és melhor -- muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
****

Em todas as ruas te encontro
*
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
*
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

*****
voz numa pedra
Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
***
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa
nenhuma
nada está escrito afinal.
Mário Cesariny

segunda-feira, janeiro 22, 2007

e porque hoje




a minha filha Carla - ao centro no seu 12º aniversário. Na ponta direita a irmã Alexandra e a menina da blusa com âncora verde é a outra irmã, a Ana que alguns conhecem via REIKI.
aqui podemos vê-la no mesmo ano.
É o palhacinho à nossa drtª. Na ponta esqdª a Alexandra e, ao centro, a amiga Filipa.

Posted by Picasa
faz anos deixo-vos um grande e terno abraço e o convite para virem, pelo menos, tomar café, comer bolo e festejar connosco.


Cá vos esperamos com tudo a que os amigos têm direito